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Um amor amoroso: o casamento na maturidadee a força dos pequenos gestos

  • Foto do escritor: Leo Xavier
    Leo Xavier
  • há 14 horas
  • 3 min de leitura

Uma reflexão pessoal sobre envelhecer juntos, redescobrir a companhia e manter viva a ternura no cotidiano do casamento

            Não escrevo sobre casamento a partir de conceitos, teorias, porque não sou psicólogo, tampouco estudioso do tema. O faço a partir das minhas experiências de vida, das alegrias que ficaram na memória, dos erros que me ensinaram mais do que qualquer acerto, e da graça de perceber que amar é um aprendizado permanente.

            Com o tempo, descobrimos que o casamento não é retilíneo, é uma estrada com curvas, subidas, trechos de belas paisagens e outros em que é preciso reduzir a velocidade, diante dos riscos. Talvez a maior maturidade do amor seja justamente entender que tudo isso faz parte do processo das nossas vidas. Nos primeiros anos, ainda jovem, havia pressa de construir, de realizar, de dar conta da vida. O amor se manifestava em grandes gestos, em planos e sonhos compartilhados. Depois vieram os filhos, as responsabilidades, as noites curtas e as preocupações que ocupam a cabeça e o coração. O casamento, muitas vezes, ficou silenciosamente sustentado pela parceria.

            E então o tempo passou.

            Os filhos cresceram, a casa começou a ficar mais silenciosa e o cotidiano ganhou outro ritmo. Vieram os netos, e com eles uma alegria leve e gratuita, preenchendo os espaços com risos e bagunça boa. Tem sido nesse tempo mais sereno que comecei a perceber algo que antes passava despercebido. O amor, quando amadurece, muda de forma. Deixa de ser espetáculo e passa a ser presença, de depender de datas especiais e passa a morar nos dias comuns. Um abraço inesperado pode dizer mais do que longas conversas, um beijo roubado na rotina tem força silenciosa; ou um ‘eu te amo’, dito sem motivo aparente, pode aquecer o dia inteiro.

            Hoje acredito profundamente na amorosidade dos gestos. Não falo de grandes declarações, mas das pequenas delicadezas. Preparar um café; perguntar se o outro está bem; caminhar juntos e sem pressa; e rir de histórias repetidas. São gestos que vão tramando um tecido invisível, capaz de sustentar o casamento ao longo dos anos. Com o passar do tempo, chegam também as fragilidades. O corpo já não responde igual, o cansaço aparece mais cedo e as preocupações com a saúde são frequentes nas conversas. É justamente nesse momento que o amor revela sua face mais bela. Amar passa a ser cuidar, compreender limites e oferecer apoio sem precisar ser pedido.

            Aprendi que a intimidade verdadeira não é sobre perfeição, e sim sobre liberdade. Liberdade de ser quem se é, com qualidades e imperfeições, e ainda assim sentir-se acolhido. É olhar para quem está ao lado e reconhecer uma história construída juntos, feita de memórias que ninguém mais compartilha da mesma forma. Aprendi a não romantizar o casamento, mas vivê-lo amorosamente é fundamental. Sei que há conflitos, desencontros e dias difíceis, contudo sei que há reconciliações, aprendizados e recomeços. Amar por muitos anos é escolher a mesma pessoa repetidas vezes, mesmo quando a vida muda, mesmo quando nós mudamos.

            Hoje vejo o casamento como companhia de alma. Alguém que conhece a tua história, que testemunhou tuas transformações e que permanece por afeto e por decisão. Um amor que amadureceu. Se pudesse dizer algo aos casais que vivem essa fase da vida, diria para não deixarem o cotidiano engolir a ternura. Não deixem de se tocar, não deixem de se olhar e não deixem de dizer o que parece óbvio, como um “eu te amo”, por exemplo. Muitas vezes o amor não acaba por falta de sentimento, mas por falta de expressão.

            O amor amoroso é um amor que não precisa de palco, mas de presença, de expressão, de toque. Um amor que aceita o tempo, acolhe imperfeições e encontra alegria na simplicidade. Um amor que continua dizendo todos os dias que ainda estamos aqui, juntos. Talvez esse seja o maior milagre do casamento. Não a ausência de dificuldades, mas a permanência do amor apesar delas, um amor amoroso.


Léo Mauro Xavier Filho


 
 
 

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