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Caminhar é preciso

  • Foto do escritor: Leo Xavier
    Leo Xavier
  • há 6 dias
  • 2 min de leitura

A história nos ensina que as grandes transformações raramente começam com gestos grandiosos. Na maioria das vezes, elas nascem de algo simples, quase silencioso e profundamente humano: caminhar. Caminhar não é apenas deslocar o corpo, é assumir um posicionamento diante da vida, é recusar a imobilidade como resposta aos desafios que surgem no caminho, pois a vida exige atitude e escolha. O passo dado é essencial, mesmo quando o horizonte ainda não está totalmente claro.

            Caminhar é decidir sair do lugar, aceitando que o movimento precede a certeza. Nada muda de verdade enquanto permanecemos parados, aguardando que as circunstâncias se organizem sozinhas. No campo das relações interpessoais, se desejamos mudanças, é preciso caminhar em direção ao outro. Com escuta, com presença, com disposição para o diálogo. Não há transformação onde existe apenas espera. Se desejamos mudanças em nossas próprias vidas, o desejo por si só não basta. É o movimento que revela o compromisso com aquilo que queremos nos tornar.

            Na sociedade, quando olhamos para os desafios do nosso tempo, fica evidente que nenhuma mudança nasce da inércia. Caminhar é assumir responsabilidade, é sair do conforto da crítica distante e ingressar no território da ação consciente. Caminhar com firmeza não é atropelar, é avançar com clareza de valores, com respeito, com sensibilidade ao tempo vivido.

            Já escreveu Fernando Pessoa: “navegar é preciso” — e acrescento que caminhar também é necessário. Caminhar nos reconecta com o ritmo humano, com o chão que pisamos, com as pessoas que cruzam nossos caminhos, com o país que vivemos. Caminhar nos convida a olhar ao redor, a perceber quem segue conosco, quem ficou para trás, quem precisa de companhia.

            Entre pontes e caminhos, a vida se revela nesse movimento contínuo, pois não existe ponte sem travessia, assim como não existe caminho sem passos. E não existe transformação sem coragem para começar. Talvez o mundo, em especial o Brasil, não precise agora de grandes gestos heroicos. Talvez precise apenas de mais pessoas dispostas a caminhar com propósito, responsabilidade. E humanidade, sobretudo, atenta aos anseios do lugar onde habitamos.

            Porque, no fim, toda mudança verdadeira começa assim, com uma atitude, com uma decisão, com um passo e com a coragem silenciosa de seguir em frente.


Léo Mauro Xavier Filho


 
 
 

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