Como uma ponte sobre águas turbulentas
- Leo Xavier
- 20 de jan.
- 2 min de leitura
“Quando você está cansado, se sentindo pequeno; quando as lágrimas estiverem em seus olhos, vou enxugá-las todas; estou do seu lado, quando os tempos ficam difíceis e amigos simplesmente não podem ser encontrados, como uma ponte sobre águas turbulentas eu vou me deitar ...”.
Há canções que não apenas tocam nossos ouvidos, mas atravessam nossas defesas e chegam direto ao coração. Like a Bridge Over Troubled Water, de Simon & Garfunkel, é uma dessas músicas raras, que acolhe e embala com a suavidade de quem conhece profundamente as dores humanas. Mais do que uma melodia, é um abraço em forma de som.
A metáfora da ponte sobre águas turbulentas é poderosa, pois fala de alguém que se dispõe a ser travessia, quando tudo parece prestes a desabar — e que se coloca no lugar da firmeza, quando o outro já não aguenta. Que não afasta a dor alheia, mas estende a mão, mesmo que silenciosamente, para sustentar quem está por um fio.
Quem de nós, em algum momento, não se sentiu afundando em suas próprias tempestades internas? A vida, com suas incertezas e perdas, pode se tornar um rio agitado, onde nadar parece impossível. E é exatamente aí que a ponte ganha sentido: não como solução mágica, mas como presença e amor incondicional.
Esse é o tipo de amor que não se exibe, que não exige nada em troca, que se oferece inteiro, mesmo que o outro não peça. Ser essa ponte, em relação a outro alguém, é um ato de generosidade, amorosidade e coragem, requerendo que renunciemos ao ego, à pressa e ao julgamento.
Requer estar presente na vida do outro.
E se pensarmos bem, todos nós podemos ser essa ponte na vida de alguém, num gesto simples, num silêncio respeitoso, num “estou aqui”, embora esta atitude não resolva o problema em si, mas que diz e representa tudo. Às vezes, não é a solução que salva, é a companhia no meio da dor, é o exercício de escutar o outro.
Ser ponte é também uma escolha espiritual, é decidir, conscientemente, não agravando as dores do mundo, mas suavizando-as. Ainda que seja só um pouco, por um instante. E talvez o maior presente dessa música seja nos lembrar que, mesmo nas horas mais sombrias, sempre haverá alguém disposto a ser ponte. Um amigo, um amor, uma fé, um gesto, uma palavra. Às vezes, é a própria vida, nos chamando para atravessar.
Que a gente aprenda, com essa canção, a oferecer mais pontes e menos barreiras. Porque, no fim das contas, todos nós estamos tentando cruzar as mesmas águas.
Léo Mauro Xavier Filho






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