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Eita mulher arretada!

  • Foto do escritor: Leo Xavier
    Leo Xavier
  • há 11 minutos
  • 2 min de leitura

Coerência na vida pública como fundamento da credibilidade democrática

            A política brasileira anda ruidosa, com opiniões inflamadas, narrativas em disputa e paixões à flor da pele. No meio desse cenário, a coerência é uma virtude que parece simples, mas se tornou rara. Não é preciso concordar com todas as ideias de alguém para reconhecer quando existe alinhamento entre o que se fala e o que se faz. Pelo contrário, a maturidade democrática começa exatamente aí, quando conseguimos afirmar, com serenidade: não penso como ela, mas respeito a firmeza com que sustenta o que pensa.

            É nesse ponto que a trajetória da deputada federal Heloísa Helena (Rede), pelo menos a mim, chama atenção. Independentemente de meu alinhamento ideológico ser contrário ao dela, a coerência é algo que salta aos olhos em sua postura e em seu comportamento. Ela fala com convicção, vota com convicção e age de acordo com o que defende. Num ambiente em que muitos modulam discursos conforme os ventos políticos da semana, suas atitudes soam quase como disruptivas.

            Coerência gera previsibilidade, que resulta em confiança. E confiança é a base da credibilidade pública. Esta não nasce, por sua vez, da unanimidade, e sim da integridade. Basta ver o que está acontecendo hoje na corte suprema. Um representante eleito, um homem com funções públicas, não precisa agradar a todos. Precisa ser fiel às suas convicções, prestar contas do que faz e sustentar suas posições com coragem, mesmo quando isso custa popularidade.

            O Brasil precisa de homens e mulheres públicos que possam ser criticados por suas ideias, mas não questionados pelo seu caráter. Pessoas com posições claras, que não terceirizem convicções e que não adaptem seus princípios conforme as conveniências. Admirar a coerência de alguém com quem não concordamos é um exercício de civilidade democrática, é reconhecer que a política deve um espaço de confronto legítimo de ideias, em detrimento do campo de anulação do outro, tal como frequentemente (quase sempre) ocorre. Discordar faz parte, mas desconstruir, desqualificar o outro, empobrece o debate.

            Em um tempo em que a polarização tenta nos empurrar para extremos absolutos, talvez o gesto mais elegante seja este: discordar com respeito e reconhecer virtudes com honestidade. E quando encontramos uma figura pública que mantém firmeza entre palavra e prática, cabe reconhecer. Porque coerência não é detalhe, é estrutura.

Eita mulher arretada!


Léo Mauro Xavier Filho

           

Wikimedia Commons Foto: Geraldo Magela/Agência Senado.

 
 
 

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