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Filhos queridos!

  • Foto do escritor: Leo Xavier
    Leo Xavier
  • há 11 minutos
  • 2 min de leitura

Criar filhos para a vida talvez seja a mais silenciosa e mais profunda missão de um pai

            Existe uma diferença silenciosa entre criar filhos para nós e para a vida. Durante muitos anos, talvez sem perceber, muitos pais acabaram educando seus filhos para a dependência emocional, financeira ou até existencial, ousando escolher a profissão e até os casamentos. Mais do que isso: nutrindo expectativas excessivas e esperando que os filhos sejam aquilo que eles, os pais, não foram, mas gostariam de ter sido. No entendimento de Sigmund Freud, o pai da psicanálise, um exercício de projeção, muitas vezes espelhando as frustrações das gerações anteriores. Como se o sucesso da paternidade estivesse ligado ao quanto os filhos precisam continuar próximos, pedindo ajuda, orientação ou amparo para tudo.

            Mas, talvez, a verdadeira missão de um pai seja exatamente o contrário.

            Desde quando os meus filhos eram pequenos, carreguei comigo uma convicção muito clara: queria prepará-los para o mundo. Que fossem capazes de caminhar com as próprias pernas, tomar decisões, enfrentar dificuldades, suportar frustrações e construir suas próprias histórias sem dependerem de mim para viver. Nunca enxerguei independência como afastamento. Pelo contrário, sempre acreditei que o amor mais maduro é aquele que fortalece, não o que aprisiona.

            A maior herança que um pai pode deixar não está nos bens materiais, embora seja natural desejar conforto e segurança para aqueles que amamos. O verdadeiro patrimônio, no entanto, está na formação do caráter, na coragem diante da vida, na atitude perante os desafios, na capacidade de levantar-se após cada tombo e continuar caminhando. A vida, afinal, não entrega garantias a ninguém. Ela muda, surpreende, desmonta certezas e exige força emocional. E o grande papel dos pais é justamente esse: preparar os filhos para quando não estiverem mais ali, segurando suas mãos.

            Hoje, aos 66 anos, olho para os filhos que tenho, Luiza e Leo Neto, e percebo neles exatamente aquilo que eu desejei construir ao longo da vida. Vejo independência, responsabilidade, maturidade e postura diante dos desafios. Pessoas capazes de fazer suas escolhas, assumir responsabilidades e enfrentar a vida com coragem e dignidade. E sei que nada disso foi construído apenas com palavras ou conselhos. Os filhos aprendem muito mais observando do que ouvindo.

            Devo muito disso à minha esposa, companheira de vida e de caminhada, que sempre compartilhou da mesma visão. Juntos, procuramos ensinar pelo exemplo. Pela forma de enfrentar dificuldades, de trabalhar, de cair e levantar, de respeitar as pessoas e de seguir em frente mesmo nos dias difíceis.

            Educar filhos talvez seja parecido com empinar uma pipa, onde no começo seguramos firme e depois soltamos linha aos poucos. Até que chega o momento em que ela ganha o céu sozinha. E, curiosamente, quando a base foi bem construída, ela não desaparece, mas volta.

            Talvez esteja aí uma das maiores vitórias da vida.

            Criar filhos que saibam voar sozinhos e que ainda escolham voltar não por necessidade, mas por amor. Pois, ao fim e ao cabo, o maior tributo que um pai pode fazer aos filhos que tem não se dá pelas conquistas materiais que proporcionou — e sim pelos seres humanos que eles se tornaram.


 
 
 

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