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Não nos iludamos, o que existe no ‘andar de cima’não é esquerda ou direita: é o SISTEMA!

  • Foto do escritor: Leo Xavier
    Leo Xavier
  • há 1 dia
  • 2 min de leitura

Os recentes fatos políticos que temos visto

em nosso país são de embrulhar o estômago

            O Brasil vive uma curiosa e permanente encenação política. De um lado do palco, homens e mulheres públicos se apresentam como inimigos irreconciliáveis, defensores apaixonados de ideologias opostas, travando batalhas morais, institucionais e eleitorais diante das câmeras, dos microfones e das redes sociais. De outro, longe da plateia, o que costuma existir é convivência cordial, acordos silenciosos, interesses cruzados e a manutenção de uma estrutura de poder que pouco muda, independentemente de quem vença as eleições.

            Não nos iludamos. O que existe no ‘andar de cima’ não é exatamente esquerda nem direita. O que existe é o SISTEMA. E o sistema tem uma extraordinária capacidade de sobrevivência. Ele muda os discursos, troca os personagens, altera slogans, cria heróis e vilões conforme a conveniência do momento, contudo preserva quase intacta a lógica de funcionamento do poder. Enquanto isso, o povo, nos ‘andares de baixo’, se divide emocionalmente, rompe amizades, destrói relações familiares e transforma a política numa espécie de torcida organizada, numa rinha, e numa guerrilha — acreditando que está lutando por causas absolutamente antagônicas, quando está apenas alimentando um jogo cuidadosamente construído para mantê-lo permanentemente em conflito.

            Os fatos recentes da política brasileira ajudam a ilustrar essa reflexão. Em cerimônias oficiais, aqueles que diante do público parecem inimigos mortais se cumprimentam com cordialidade, dividem mesas, sorriem para fotografias e encerram a noite em confraternizações descontraídas e quando não vem a público áudios de conversas trocadas entre figuras públicas da república, com conteúdos no mínimo duvidosos e pouco republicanos. Enquanto o cidadão comum vive a raiva política como algo pessoal, visceral e quase religioso, muitos dos protagonistas desse embate convivem de maneira muito mais pragmática do que aparentam.

            Isso não significa dizer que não existem diferenças ideológicas reais. Tampouco significa afirmar que todos são iguais ou que não encontramos pessoas sérias na vida pública. Há personagens corretos, preparados e comprometidos. O problema é que o sistema político brasileiro, historicamente, possui uma incrível habilidade de absorver discursos revolucionários sem necessariamente permitir mudanças estruturais profundas.

            O sistema não se alimenta da solução dos conflitos. Ele se nutre da permanência deles. Quanto mais polarização, mais o cidadão deixa de discutir aquilo que realmente impacta sua vida cotidiana: educação, mobilidade urbana, saúde, segurança jurídica, eficiência do Estado, infraestrutura, produtividade e geração de oportunidades. O debate público se transforma numa guerra emocional permanente, enquanto problemas concretos seguem atravessando décadas sem solução definitiva.

            Talvez o maior triunfo do sistema seja justamente convencer as pessoas de que estão lutando umas contra as outras — quando deveriam olhar juntas para cima, questionando privilégios, estruturas ineficientes e um modelo político que frequentemente se distancia da vida real de quem trabalha, empreende, paga impostos e tenta construir uma vida digna. No fim, a impressão que fica é dura, mas inevitável: o Brasil não é um país sério, onde o teatro político frequentemente muda o cenário, troca os figurinos e altera os protagonistas, e a peça continua sendo encenada pelos mesmos interesses de sempre.

            E enquanto o povo briga na plateia, o sistema agradece em silêncio.


Léo Mauro Xavier Filho


 
 
 

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