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O que falta para reorganizar o transporte coletivo da Grande Florianópolis

  • Foto do escritor: Leo Xavier
    Leo Xavier
  • há 2 dias
  • 2 min de leitura

            Há mais de quatro décadas acompanho de perto a evolução do transporte coletivo da Grande Florianópolis. Nesse período, assisti ao crescimento da região, às mudanças no comportamento da população, ao aumento da frota de automóveis e aos desafios cada vez maiores para oferecer um serviço eficiente e sustentável. Essa experiência me leva a uma convicção: antes de discutir soluções pontuais e meramente formais, precisamos construir uma política pública de mobilidade, capaz de responder às necessidades da região metropolitana nas próximas décadas.

            Na minha percepção, essa política deve estar apoiada em três fundamentos essenciais: organização das informações, financiamento e infraestrutura. O primeiro fundamento é a organização das informações. Não existe planejamento de qualidade sem dados precisos e tempestivos. A transparência é fator essencial. É preciso conhecer com exatidão a demanda por transporte, os principais deslocamentos da população, os custos da operação, o tempo de cada viagem, a ocupação das linhas e os indicadores de desempenho. Ter um órgão — ou uma instituição — específica para tal fim, é parte desse fundamento. Decisões baseadas em evidências são sempre mais eficazes do que apenas em percepções.

            O segundo pilar é o financiamento. O transporte coletivo é um serviço público indispensável, capaz de promover a inclusão social, o desenvolvimento econômico e a qualidade de vida. Entretanto, tornou-se evidente que um sistema moderno não pode depender exclusivamente da tarifa paga pelo passageiro. São necessárias fontes permanentes de financiamento que permitam custear gratuidades, renovar a frota, incorporar tecnologias e manter o equilíbrio econômico do sistema, preservando tarifas acessíveis.

            O terceiro fundamento é a infraestrutura. Corredores exclusivos, faixas preferenciais, terminais de integração, pontos de parada adequados, prioridade semafórica e sistemas inteligentes de gestão não representam apenas obras de engenharia. São investimentos que reduzem o tempo de viagem, aumentam a produtividade do sistema e tornam o transporte coletivo mais eficiente e competitivo.

            Esses três aspectos não podem caminhar separadamente: informação produz planejamento; financiamento garante sustentabilidade; e infraestrutura transforma planejamento em resultados concretos.

            A Grande Florianópolis reúne todas as condições para construir um sistema de mobilidade compatível com sua importância econômica e social. Para isso, é preciso olhar além das soluções imediatas e investir em uma política pública permanente, baseada em planejamento, integração e visão de futuro. A reorganização do transporte coletivo começa exatamente aí: na capacidade de construir esses três fundamentos. Todo o restante será consequência de uma base sólida, pensada para atender, acima de tudo, aos interesses da sociedade.


Léo Mauro Xavier Filho

 


 
 
 

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