Quando a dor ensina
- Leo Xavier
- há 7 dias
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Há dores que não se esquecem. Elas deixam marcas invisíveis, mas profundas, como se esculpissem a alma a golpes silenciosos. “O homem que a dor não educou será sempre uma criança”, exprimiu o escritor e dramaturgo italiano Silvio Pellico — e tinha razão. Só quem atravessou o vale do sofrimento sabe o valor da serenidade que a sucede.
A dor é uma professora exigente, desapressada, não faz concessões, não se impressiona com desculpas. Chega quando tudo parece firme, desmonta certezas, despedaça orgulhos, e nos obriga a reaprender a viver. E o faz não para nos punir, mas para nos amadurecer. Ensina que o controle é uma ilusão, que o tempo é sábio, e que o amor, quando verdadeiro, resiste até ao cansaço. Os que nunca foram educados pela dor vivem em uma espécie de infância emocional: impacientes, carentes de sentido, reféns do imediatismo. A dor, ao contrário, ensina a esperar, a calar, a compreender, pois faz nascer em nós uma escuta mais profunda, uma empatia mais sincera, um olhar mais humano.
Quando deixamos de resistir e passamos a escutá-la, descobrimos que há sabedoria no sofrimento. Muito além da sabedoria dos livros, é aquela que provém do chão da existência. É a dor que nos faculta atravessar a vida com mais leveza, a entender o outro e a agradecer pelo simples fato de ainda podermos caminhar. Por isso, o segredo está em deixá-la fazer seu trabalho, em detrimento da fuga pura e simples. Porque depois dela, nunca mais seremos os mesmos, e é justamente aí que começa a verdadeira maturidade.
Léo Mauro Xavier Filho





"Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é", já cantou Caetano, com verdade poética.