A liberdade começa dentro de nós
- Leo Xavier
- 21 de jul.
- 2 min de leitura
Li uma frase que gostaria de compartilhar com vocês e sobre a qual farei uma breve reflexão . Quanto mais os anos passam, mais essa afirmação faz sentido para mim: “somente os disciplinados são livres na vida”. Na juventude, costumamos acreditar que liberdade é fazer o que se quer, quando se quer. Parece sedutor imaginar que ser livre é não ter limites, não prestar contas, não seguir regras. A experiência se encarrega de ensinar que esse caminho, muitas vezes, nos torna prisioneiros de nós mesmos.
A verdadeira liberdade não está na ausência de limites. Está na capacidade de escolher quais valem a pena ser respeitados. Conter os próprios instintos, dominar os impulsos, saber o que se pode e o que não se pode, o que se deve e o que não se deve fazer: isso é liberdade. Nem tudo o que podemos, devemos fazer. Da mesma forma, nem tudo o que desejamos nos faz bem. A maturidade consiste justamente em perceber que a vontade do momento nem sempre conduz ao melhor destino.
É a disciplina que nos permite levantar quando o corpo pede para permanecer na cama. É ela que nos faz estudar quando seria mais confortável adiar; cuidar da saúde antes que a doença apareça; manter a palavra dada mesmo quando seria mais fácil recuar; e tratar as pessoas com respeito, ainda que a irritação nos convide a agir de outra forma.
A disciplina não é uma prisão. Ela é a chave que abre a porta da liberdade. Quem não consegue dizer não aos próprios impulsos acaba vivendo à mercê deles. Quem não controla seus desejos torna-se dependente das circunstâncias. Quem não governa a si mesmo dificilmente conseguirá conduzir a própria vida.
Talvez seja essa uma das grandes lições da maturidade: ter sabedoria para escolher o que realmente vale a pena fazer. No fim das contas, a maior vitória de um ser humano não é sobre os outros, é sobre si mesmo.
Porque a verdadeira liberdade não é concedida por leis, pelo dinheiro ou pela posição que ocupamos na sociedade. Ela nasce quando aprendemos a governar a própria consciência. É nesse instante que deixamos de ser escravos dos impulsos, das paixões e das circunstâncias, para nos tornarmos senhores de nós mesmos. Creio que essa é uma das maiores conquistas da vida: descobrir que a liberdade não é fazer tudo o que queremos; é querer, cada vez mais, fazer aquilo que, responsavelmente, deve ser feito, em respeito e consideração a si e aos outros.
Léo Mauro Xavier Filho



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