O abraço que nunca se perde
- Leo Xavier
- há 2 dias
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Há alguns dias, um amigo me sugeriu que eu escrevesse sobre os pais, já que o dia deles está se aproximando. Confesso que, num primeiro momento, apenas guardei a ideia. Não consigo “colocar no papel” simplesmente uma ideia. Minha inspiração, se é que tenho alguma, não nasce da razão: preciso amadurecê-la no coração. Naquela noite, antes de dormir, com a carinhosa provocação ainda na cabeça, pensei no meu pai.
Pensei no próximo Dia dos Pais: não terei a possibilidade de almoçar com ele. Não poderei apertar sua mão nem lhe dar um abraço. A cadeira dele estará vazia, porém a lembrança de sua presença continuará ocupando um lugar que ninguém mais poderá preencher. Existem pessoas que partem, mas permanecem na nossa memória e no nosso coração.
A morte pode interromper a convivência, todavia não consegue apagar a gratidão, os ensinamentos, as lembranças nem a influência silenciosa que um pai continua exercendo sobre a vida de um filho. Há vozes que continuam ecoando dentro de nós por toda a existência. Há exemplos que seguem iluminando nossos passos, mesmo quando quem os deu já não caminha ao nosso lado. Talvez seja por isso que existam abraços que não dependem dos braços, tampouco se perdem no tempo.
Neste Dia dos Pais, muitos terão a alegria de abraçar seus pais. Que o façam amorosa e demoradamente, que não economizem palavras de carinho, agradeçam e que aproveitem o privilégio da presença. Outros, como eu, olharão para o céu com uma saudade serena, pois não haverá abraço físico. Mas haverá um abraço da alma, feito de memória, de gratidão e de amor. Porque existem laços incapazes de serem rompidos, mesmo diante do passar do tempo, das distâncias impostas ou da perda definitiva pela morte.
E, enquanto pensava nisso, outra verdade me visitou: eu também sou pai. Se não posso mais abraçar aquele que me ensinou a ser filho, posso ser abraçado pelos filhos que a vida me deu. De certa forma, o amor continua seu caminho. Aquilo que um dia recebi, hoje posso transmitir. É como se cada abraço que recebo dos meus filhos carregasse, silenciosamente, um pouco daquele que um dia recebi do meu pai. Aquele que um dia abraçou hoje é abraçado.
Talvez seja esse o verdadeiro milagre da paternidade: o amor não termina, apenas muda de direção. Neste domingo, alguns olharão para cima com saudade; outros para a frente, com esperança. Mas todos nós, filhos ou pais, estaremos unidos pela mesma certeza: quem amou de verdade nunca deixa de estar presente. Porque há pessoas que passam pela nossa vida e deixam um abraço sincero, carinhoso e amoroso, que nunca se perde.
Filhos, abracem seus pais.



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