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Entre o agora e o futuro: a urgência que não pode esperar

  • Foto do escritor: Leo Xavier
    Leo Xavier
  • 5 de jan.
  • 2 min de leitura

Há momentos em que o debate público precisa abandonar o terreno das intenções e pousar, com firmeza, na realidade. O sistema de transporte coletivo vive exatamente esse ponto de inflexão. Todos sabem que a licitação é necessária, desejável e inevitável. Ela é o destino. Mas entre o agora e esse futuro existe um presente que não pode ser ignorado.

            A vida não entra em suspensão enquanto os processos administrativos amadurecem. As pessoas continuam saindo de casa cedo, enfrentando longos deslocamentos, dependendo do ônibus para trabalhar, estudar, cuidar da saúde. O transporte coletivo não é um conceito abstrato. É um serviço essencial que pulsa todos os dias, com ou sem edital publicado.

            Por isso, insistir na licitação como resposta única é um equívoco perigoso. Não porque ela seja prescindível, mas porque ela não resolve o hoje. Até que esse processo complexo se conclua, medidas emergenciais, transitórias e responsáveis precisam ser adotadas, como dever público.

            A urgência está em escolher um modelo definitivo, e, em paralelo, evitar o colapso do sistema. O que significa manter a frota operando, garantir previsibilidade mínima, assegurar o equilíbrio operacional e a segurança jurídica temporária. Tais medidas representam a proteção ao usuário, pois quando o sistema entra em instabilidade, quem paga a conta é o cidadão.

            Há uma falsa dicotomia instalada no debate: ou se faz licitação ou se tolera o improviso. Essa lógica empobrece a discussão. O caminho maduro é diverso. Reconhecer que existe um período de transição que precisa ser governado com inteligência, técnica e responsabilidade. Transição não é omissão. Transição exige decisão.

            Medidas provisórias bem desenhadas não enfraquecem a futura licitação. Ao contrário, a fortalecem. Um sistema minimamente organizado, financeiramente previsível e operacionalmente funcional cria melhores condições para um certame competitivo, transparente e atrativo. Licitações feitas sobre ruínas raramente produzem bons resultados.

            O tempo, esse senhor implacável, não espera consensos perfeitos. Cada mês perdido cobra seu preço em qualidade, confiança e credibilidade institucional. Governar também é saber agir enquanto o futuro se constrói. E, nesse intervalo, coragem e pragmatismo valem mais do que discursos bem intencionados. A licitação virá. Mas até lá, é preciso cuidar do caminho. Porque mobilidade não admite pausa. E cidade que não se move, adoece. Léo Mauro Xavier Filho


 
 
 

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