top of page

Hoje, perdi um amor

  • Foto do escritor: Leo Xavier
    Leo Xavier
  • há 1 dia
  • 3 min de leitura

Algumas pessoas entram na nossa vida

 por acaso e acabam se tornando parte da nossa história


Hoje, perdi um amor.

A vida vai nos ensinando, com o passar dos anos, que o amor não tem apenas uma forma. Ele aparece de muitos jeitos, ocupa lugares diferentes na nossa história e cria vínculos que às vezes nem sabemos explicar direito. Eu tinha apenas 16 anos quando fui, pela primeira vez, à casa da minha namorada. Era praticamente um menino. Cheguei meio sem jeito, um pouco envergonhado, tentando parecer mais seguro do que realmente era. Quem me recebeu naquele dia foi dona Alda.

Ela abriu a porta, sorriu e me deu um abraço.

Pode parecer algo simples, mas naquele gesto havia um acolhimento verdadeiro. Um daqueles abraços que dizem, sem precisar de palavras, que você é bem-vindo. Naquele momento nasceu um vínculo que atravessaria décadas.

Posso dizer, sem exagero, que foi amor à primeira vista.

Ao longo de quase cinquenta anos construímos uma relação muito bonita. Dona Alda foi muito mais do que minha sogra. Foi amiga, conselheira, confidente. Em muitos momentos da minha vida foi também uma espécie de mãe que o destino colocou no meu caminho. Esteve presente em muitos capítulos da minha história. Nos momentos bons, celebrava com alegria simples, daquelas que aquecem o coração. Nos momentos difíceis, estava ali, oferecendo apoio, palavras de encorajamento e aquela serenidade que só as pessoas de alma grande e generosa conseguem transmitir.

E quando eu errava — porque ao longo da vida todos nós erramos — ela não fingia que não via. Chamava minha atenção com firmeza, como uma mãe faz com um filho. Mas havia sempre algo que nunca faltava, um abraço no final da conversa e dizia “eu te amo”. Era como se dissesse que o amor verdadeiro não desaparece por causa das nossas falhas. Pelo contrário, ele nos ajuda a crescer, a amadurecer, a encontrar novamente o caminho. Dona Alda tinha essa qualidade rara de quem sabe amar sem invadir, orientar sem impor e cuidar sem esperar nada em troca. Sua presença transmitia paz e sua maneira de viver ensinava mais pelo exemplo do que por qualquer discurso.

  Hoje, perdi um amor.

Porém, carrego comigo uma profunda gratidão. Gratidão por cada gesto de carinho, pelas conversas e os momentos de acolhimento que ajudaram a construir a história da nossa família.

Pessoas assim não passam pela nossa vida apenas como personagens de uma história. Elas ajudam a moldar quem nós somos. Gosto de acreditar que os vínculos verdadeiros não se rompem com a morte. Eles apenas atravessam para outra dimensão da existência. A presença física se vai, mas o amor permanece vivo dentro de nós, silencioso e eterno. Por isso, guardo comigo uma esperança tranquila, que, em algum momento, em algum lugar que ainda não compreendemos completamente, iremos nos reencontrar. E quando esse momento chegar, tenho certeza de que faremos aquilo que sempre fizemos ao longo desses cinquenta anos — nos abraçaremos.

E talvez, com a mesma simplicidade que sempre marcou nossa relação, possamos dizer novamente um ao outro aquilo que tantas vezes dissemos em vida: eu te amo.

Hoje, perdi um amor.

Mas é um amor que levarei comigo eternamente, guardado no lugar mais profundo da minha alma e do meu coração.

Obrigado por tudo, dona Alda, seu amor continua vivendo em mim.

 

Dedicatória

Para dona Alda, minha sogra, minha amiga e meu amor, com gratidão por cada abraço, cada conselho e cada gesto de carinho que ajudaram a construir a história da nossa família. Seu amor seguirá caminhando comigo.

Léo Mauro Xavier Filho


 
 
 

Comentários

Avaliado com 0 de 5 estrelas.
Ainda sem avaliações

Adicione uma avaliação
  • Ícone do Facebook Branco
  • Ícone do Twitter Branco

© 2035 por AsHoras. Orgulhosamente criado com Wix.com

bottom of page