O político e o estadista
- Leo Xavier
- 15 de out. de 2025
- 2 min de leitura
Entre o ruído das disputas e o silêncio das ideias, o Brasil clama por líderes que olhem além do próprio tempo
Há uma diferença abissal entre o político e o estadista. O primeiro pensa na eleição se avizinha e o segundo, na próxima geração. O político fala para a plateia; o estadista, para a história; o político busca aplausos; o estadista, resultados. E o Brasil contemporâneo está carente desse olhar de grandeza, dessa visão que ultrapassa os próprios interesses e enxerga o país como um projeto de nação, não como uma disputa de poder.
Vivemos um tempo em que o debate público se transformou em espetáculo, onde diálogo deu lugar à ofensa, a razão foi substituída pela emoção e o populismo tomou o lugar do planejamento. Cada palavra é medida não pelo seu conteúdo, mas pelo número de curtidas que gera, pois o que antes era arte de governar, tornou-se estratégia de marketing, nesses tempos de mídias sociais. E, nesse jogo de vaidades, o país real — o das ruas, dos ônibus, das famílias, das escolas, dos hospitais que lutam pelo básico, segue invisível. Um estadista é aquele que compreende que governar é servir, e não se servir; que entende que conciliar é mais difícil, porém também mais nobre, do que vencer; que escuta antes de falar, que planeja antes de prometer e entrega antes de comemorar. É aquele que não teme o impopular quando o certo se impõe, que preserva o bem comum mesmo sob o fogo das paixões políticas.
O Brasil de hoje precisa menos de salvadores e mais de construtores. Menos de slogans e mais de propósito. Porque um verdadeiro estadista não divide o país entre “nós” e “eles”; ele o reconcilia em torno de um “todos”. A falta de um estadista se sente no desalento do povo, na descrença com as instituições e na fadiga de quem não vê horizonte. Talvez essa ausência seja também um chamado: o de cada cidadão assumir, em sua escala, o papel de quem pensa no todo, age com ética e cuida do que é de todos.
Suponho que o estadista que o Brasil carece não esteja em Brasília, mas dentro de cada brasileiro que, apesar de tudo, ainda acredita que vale a pena lutar por um país melhor. Léo Mauro Xavier Filho






Um desafio gigantesco, mas impostergável. A questão é: por onde começar? Creio que a iniciação política dos jovens é um bom ponto de partida e, é claro, uma seleção rigorosa nos candidatos que votaremos nas próximas e sucessivas eleições.