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Ônibus perde passageiros e expõe crise estruturaldo transporte da Grande Florianópolis

  • Foto do escritor: Leo Xavier
    Leo Xavier
  • há 1 hora
  • 2 min de leitura

Queda de demanda acende alerta sobre financiamento,

qualidade do serviço e governança metropolitana

                A recente queda nos usuários de ônibus nas grandes cidades brasileiras não é um fenômeno distante. Na Grande Florianópolis, o movimento também é perceptível e revela mais do que números: expõe um sistema que enfrenta mudanças profundas no comportamento urbano e dificuldades estruturais para se reinventar. Durante décadas, o ônibus organizou a rotina das famílias. Era o elo silencioso entre casa, trabalho, escola e oportunidades. Hoje, porém, novos hábitos de deslocamento, crescimento do transporte individual e por aplicativo, teletrabalho e congestionamentos cada vez mais intensos alteraram a dinâmica da mobilidade metropolitana.

            O impacto aparece na catraca. Menos passageiros significam menor receita e maior pressão sobre um sistema já marcado por custos elevados, frota envelhecida e contratos juridicamente frágeis. Forma se, assim, um ciclo delicado: a queda de demanda reduz capacidade de investimento, o serviço perde competitividade e a migração para outros modos se intensifica.

            Mas a crise do transporte coletivo não é apenas um problema das empresas. É um alerta urbano. Menos gente no ônibus significa mais carros nas ruas, maior emissão de poluentes e cidades menos inclusivas. O enfraquecimento do transporte coletivo compromete diretamente a qualidade de vida metropolitana. Em paralelo, cresce a expectativa social por ônibus mais confortáveis, sustentáveis e integrados. A contradição é gritante: exige se mais qualidade, justamente quando a capacidade de investimento está limitada. Essa equação só se resolve com política pública estruturada e visão metropolitana.

            O momento pede maturidade institucional. Financiamento estável, segurança jurídica, prioridade viária ao ônibus e integração tarifária regional deixam de ser pautas técnicas e passam a ser condições de sobrevivência do sistema. A perda de passageiros não representa um destino inevitável. É um sinal de transformação. E talvez a pergunta mais importante não seja por que os usuários estão saindo, mas o que precisa mudar para que eles voltem a enxergar no ônibus um aliado confiável do seu cotidiano.

            Porque quando o transporte coletivo se fortalece, a cidade inteira avança junto.


Léo Mauro Xavier Filho


 
 
 

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